Profª Nair Novaes

Profª Nair Novaes

Profª Anair Novaes.
“Nenhuma pessoa branca que vive hoje é responsável pela escravidão. Mas todos os brancos vivos hoje, colhem os benefícios dela, assim, como todos os negros que vivem hoje tem cicatrizes dela” – Talib Kwelli
É consenso que o advento da escravidão dos negros no brasil, foi cruel e insidioso, sendo que seus reflexos perduram até nossos dias. Mais do que a ignomínia da prática escravagista em si, se fez presente a desumanização, a inferiorização e a descaracterização desse povo.
Os negros aqui trazidos na condição de escravizados se viram em uma terra estranha, alijados de todo o seu pertencimento, de seu nome, de sua família, de seus costumes, de sua religião, de sua cultura e de sua ancestralidade.
Vale salientar que, esse trágico e desumano período não foi suportado de modo passivo pelos negros. Diversas foram as lutas pela libertação, várias foram as formas de resistência (quilombos, revoltas e etc), surgiam então as manifestações abolicionistas e movimentos que se tornaram cada vez mais intensos. Desses movimentos, podemos destacar nomes como: Dandara, Zumbi dos Palmares, Aquatuny, Luiza Mahin, Luiz Gama, entre outros.
Com o advento da Lei Áurea que veio não como benesses e sim pela pressão e imposição de uma nova ordem mundial, os negros agora libertos, se viram totalmente excluídos, literalmente a margem da sociedade. Esse conceito de marginalidade, encontra-se presente ainda em nossos dias e pode ser aferido em diversos aspectos, tais como, moradia, empregabilidade, renda familiar, escolaridade, etc…. Há de se ressaltar que não obstante todos os obstáculos supra mencionados, o que mais persiste é o racismo, o negro ainda é visto de forma negativa e inferior, sua cultura pouco conhecida e divulgada, a religião de seus ancestrais demonizada, seu conhecimento saqueado, sua beleza peculiar espezinhada. Apesar de alguns avanços obtidos por meio de muitas lutas, a questão racial permanece sendo um tabu, pois, temos em nosso país o mito da “Democracia Racial”, e dessa maneira, todos são iguais, não havendo distinção pela cor da pele e tampouco preconceito. Essa afirmação é mera balela, dita por quem não se dispõem a ver a realidade dos fatos. Não se pode, entretanto, negar, que ao longo dos anos, houve algumas mudanças em que diversos aspectos sociais da população negra. Hoje temos polícias públicas de ações afirmativas, que só foram possíveis graças às pressões dos movimentos negros, contudo, ainda são insuficientes. Para tanto, realizar a 1ª Feira do Orgulho Negro de São Paulo, celebrando a diversidade étnico racial, objetiva ressaltar toda a contribuição que o povo negro trouxe para o mundo, não só para São Paulo como para o Brasil.
Valorizando e ressignificando toda herança sociocultural, histórica, política, gastronômica e estética, fortalecendo e empoderando a população. Dando-lhe visibilidade a todo saber compartilhado por nossos ancestrais. Resgatando suas cores e sabores, enaltecendo sua beleza e potencializando sua arte, oportunizando que seus ritmos e sons possam ecoar por todos os cantos. Reafirmando nossa luta diária por respeito, dignidade, igualdade e acima de tudo, equidade.

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